Do brechó ao DVD: jovens optam pela 'moda circular' e mídia física como resgate de estilo e cultura no interior de SP

  • 24/08/2026
(Foto: Reprodução)
Do brechó ao DVD: jovens optam pela 'moda circular' e mídia física em Bauru A moda circular e o consumo de mídia física atraem um tipo específico de consumidores: aqueles que tentam fazer com que os objetos tenham um período maior de usabilidade em meio ao lema de “comprar, usar e descartar”. Em Bauru (SP), locais como sebos e brechós se destacam pelo incentivo a esse hábito, que é procurado e apoiado por jovens da região. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Uma das frequentadoras dos brechós é a estudante Lea Secchi. A jovem conta que conheceu os brechós em 2021 e se afeiçoou pelo estilo de vida desde então. “[Compro] principalmente por ser mais barato. Muitas peças de antigamente, de 2000 a 2010 e da década de 1990 que encontramos em brechós e bazares são feitas com materiais mais resistentes”, conta. Estudante de Bauru economiza com looks garimpados em brechós da cidade Arquivo pessoal Segundo a graduanda de Jornalismo, o material é diferente ao ser comparado com as coleções de redes de fast fashion, que duram menos. Além disso, a autenticidade nos looks idealizados por Lea é o que a faz consumir a moda de uma maneira mais sustentável. “Eu consigo peças únicas garimpando. Enquanto que nas tendências todo mundo parece usar a mesma coisa, eu encontro uma peça que pode se encaixar muito em uma tendência. Além de sustentável, só eu tenho nesse modelo, o que o torna mais especial de alguma forma”, justifica. LEIA TAMBÉM Tem Solução: estudantes criam vestidos recicláveis e brechós incentivam moda sustentável no interior de SP Moda circular e sustentável ganha popularidade por meio de brechós no centro-oeste paulista De acordo com a moça de 22 anos, calças jeans são vestimentas que valem a pena em brechós, já que em lojas de departamento essas peças passam da casa dos 100 reais. A prática, no final do mês, ajuda quem quer se vestir bem, mas também precisa segurar as pontas. “Já cheguei a pagar $5, $10 e $20 reais em calças jeans de qualidade e muito usáveis ainda. É uma diferença surreal de preço para quem não tem condições”, expõe. 👗♻️Peças a R$ 10 Para os comerciantes desse nicho de mercado, os brechós são uma oportunidade de consumo de moda de qualidade com preços acessíveis. No comércio de Tânia Zerlin, que fica na zona sul da cidade , preço é tabelado em R$ 10. No Brechó Tânia Zerlin, em Bauru, todas as peças custam R$ 10 Guilherme Leal/g1 Fundado em 2021, a dona do estabelecimento revela que a ideia surgiu a partir dos “desapegos” dela e de outras amigas. Após cinco anos, ela se tornou referência na região para um público específico: “Como meu brechó é um brechó de garimpos com preço fixo de R$ 10, meu maior público são os universitários”. Tânia também troca roupas levadas pelos clientes por peças disponíveis nas araras do estabelecimento e também aceita a venda dos itens pelo preço de R$ 1 a R$ 5 . Segundo ela, a chamada moda 'second hand' combina estilo com economia: “Essa moda consciente, onde pagar pouco significa andar sempre na moda com peças exclusivas, que depois viram mercadoria de troca novamente”. 🔎 Second hand é uma expressão em inglês que pode ser traduzida "segunda mão" e que significa o comércio ou o uso de produtos que já pertenceram a outra pessoa, isto é, itens usados. Outro brechós da cidade faz parte de uma rede que nasceu em 2017 na garagem da CEO Mariza Rezende, em Maringá (PR). O que começou como uma ideia intimista se tornou uma rede com 21 unidades, sendo uma delas na cidade do interior de SP. “Temos como público-alvo todos aqueles que queiram consumir peças lindas e de qualidade, peças únicas, cada uma com sua história”, explica Ana Carolina Guimarães, relações públicas da rede de brechós. Com um grupo específico que vai de adultos entre 25 a 30 anos e mulheres com mais de 50, o foco da loja é apresentar a moda second hand ao mundo, de maneira acessível e abrangente a todos os corpos. De acordo com a representante, os colaboradores fazem uma seleção das peças que ficam disponíveis para a compra. Rede de brechós voltada para moda de segunda mão tem 21 unidades, sendo uma delas em Bauru Divulgação Além disso, os clientes também podem levar os próprios itens à avaliação. Caso sejam aprovados, eles recebem o valor estabelecido pela loja (que depende do tipo de vestimenta e do estado no qual ela se encontra) ou ganham créditos para gastarem no estabelecimento. “Sempre ressaltamos aos nossos clientes que nossa avaliação de peças é sem compromisso, então eles podem separar as pecinhas/sapatos/acessórios que queiram desapegar e nos trazem para a curadoria”, acrescenta. 📀 Mídia física também é consumida pela geração Z Além de roupas e acessórios, há aqueles que consomem a mídia física de DVDs, prática que caiu em desuso após a popularização dos serviços de streaming. Para Davi Marcelgo, estudante de jornalismo da Unesp de Bauru e amante de filmes, colecionar as mídias fez com que ele descobrisse longas-metragens que não estão nas principais plataformas. “Alguns filmes não estão disponíveis em streaming ou estão, mas apenas para aluguel. Geralmente custa R$ 5 ou R$ 10 e com esse valor posso comprar um dvd no sebo ao invés de alugar e ter acesso apenas por 48 horas”, afirma o jovem de 22 anos. Davi Marcelgo, de Bauru, é cinéfilo e tem coleção de DVDs Arquivo pessoal Nesses serviços, os títulos ficam disponíveis até o fim do contrato daquela obra. Após o término, ele pode sair ou ir para outro aplicativo. Com a mídia física, os consumidores podem assistir aos filmes sempre que quiserem com o aparelho de DVD. Estudante de Bauru tem coleção com mais de 300 DVDs de filmes Arquivo pessoal “Desde muito pequeno tenho proximidade com a mídia física. Duas tias colecionavam DVDs e CDs e me presenteavam com os discos. Também sempre frequentei locadoras, o que me aproximou desse universo” , afirma o graduando. Importância da coleção de DVDs 🎬 De acordo com Davi, que possui mais de 300 títulos em casa, o consumo de mídia física amplia a relação entre a obra e o público que a acompanha. “Ver a capa de um DVD, retirar o disco, apertar os botões do controle para definir legendas, ver as animações do menu, tudo isso compõe a experiência”, caracteriza. Em Bauru, o jovem faz as compras em um sebo literário, que fica no centro da cidade. “É o meu favorito, lá tem uma seção só para filmes e são vários os gêneros. Os preços são muito bons e é tudo muito organizadinho, fácil de achar”, diz o estudante. Sebo Espaço Literário vende DVDs, discos de vinil e livros em Bauru Guilherme Leal/g1 Fã da Sétima Arte, ele relata que já notou diferenças em filmes como “Homem-Aranha (2002)” e “Lilo & Stitch”, que perderam características de suas filmagens quando chegaram aos serviços de streaming. “Por exemplo, ‘Homem-Aranha’, de 2002, ao entrar no streaming, ganhou fade-in em algumas cenas, o que não existe no filme original. Isso muda o ritmo da obra. Outras produções também sofrem com alterações de cenas, cores e até são redesenhados, como no caso da animação ‘Lilo & Stitch’”, conta. “Possuir mídia física é conservar a história do cinema da maneira como ele foi pensado para ser visto”, destaca Davi. Initial plugin text *Sob supervisão de Mariana Bonora Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/08/24/do-brecho-ao-dvd-jovens-optam-pela-moda-circular-e-midia-fisica-como-resgate-de-estilo-e-cultura-no-interior-de-sp.ghtml


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