Primeira da família a falar inglês, brasileira supera concorrência de 33 mil candidatos e conquista vaga de estágio no Banco Mundial

  • 11/08/2026
(Foto: Reprodução)
Gabrielle Hayashi conseguiu uma vaga de estágio no Banco Mundial. Arquivo pessoal Gabrielle Hayashi Santos pode ser considerada uma exceção. É a primeira da família a falar inglês, a ter pós-graduação e a estudar fora, o que por si só já seria o suficiente. Mas ela fez mais: conseguiu uma das 120 vagas de estágio no Banco Mundial, concorrendo com quase 33 mil candidatos. Natural de Bauru, no interior de São Paulo, Gabrielle é formada em Relações Internacionais e começou a se interessar por intercâmbios ainda no ensino médio. Só que na época, ela não acreditava que era um sonho que cabia em sua realidade. "Sempre tive muita vontade em realizar intercâmbio, mas era algo muito caro para a minha realidade socioeconômica. [...] Foi só depois de muita pesquisa que vi que as pessoas iam até para Harvard com bolsas de estudo, que eu entendi que existe essa possibilidade para quem quer estudar fora", contou a estudante, em entrevista ao g1. Durante o próprio ensino médio, já conseguiu diversas bolsas para realizar cursos no exterior sobre liderança, desenvolvimento jovem, empreendedorismo, todos temas que cada vez mais ampliaram o horizonte da jovem. VEJA TAMBÉM: Agora no g1 Ela lembra que no início, por ser muito nova, a mãe tinha medo que ela viajasse sozinha para fora e não deixou que ela fosse. "Minha mãe acreditava até que era tráfico humano", conta rindo. "Mas conforme eu fui aplicando e ela foi conhecendo os programas e as pessoas que participavam, foi ficando mais tranquila. E na graduação consegui uma bolsa para um curso no Canadá", lembra. Depois disso, emendou um intercâmbio atrás do outro, até chegar no mestrado na Alemanha, com direito a estágio na Unesco durante o processo. Gabrielle afirma que, dentro da graduação em Relações Internacionais, começou a se atrair muito por processos de desenvolvimento de carreira, especialmente de alunos internacionais, como ela. "Passei a me voltar mais para o ponto de vista econômico dentro de desenvolvimento e governo e me interessar cada vez mais por como a carreira não é só um emprego, ela permite mudar a vida não somente de uma pessoa, mas de todos os membros de sua família", comenta. Estudante perde bolsa do Prouni porque mãe movimentou dinheiro em plataformas de aposta: 'Jogo online não é renda', diz Realidade distante para a família O interesse ao longo da graduação é algo que se mistura com a própria trajetória de Gabrielle e com a história de sua família. Ainda que tenha estudado em um colégio particular, o intercâmbio não era uma realidade para ela, nem para os seus colegas, muito menos para os seus pais. De origem mais humilde, o pai da estudante parou de estudar no ensino fundamental para trabalhar e ajudar a família. Fez todo o tipo de trabalho: pegou latinha na rua para vender, ficou na fila do hospital para vender o lugar, foi caminhoneiro, mecânico. E só quando Gabrielle tinha seis anos ele conseguiu voltar a estudar e concluir o ensino médio. Gabrielle Hayashi é formada em Relações Internacionais. Arquivo pessoal Da mãe, a estudante carrega a descendência e o sobrenome japoneses. Era com o país do outro lado do mundo o único contato da família com um local no exterior, mas com uma relação muito diferente da que ela própria veio a estabelecer anos depois, para estudar. "O contato que minha família tinha tido com ir para fora é o mesmo que boa parte dos descendentes de japoneses no Brasil. Meus parentes iam para o Japão para trabalhar em fábrica e conseguir dinheiro para auxiliar a família", diz. Farmacêutica, a mãe cresceu em uma pequena cidade agrícola no interior do Mato Grosso e se mudou para Bauru para estudar na universidade em que se formou, a mesma de Gabrielle. O processo para o estágio no Banco Mundial Mesmo tendo experiência em outros processos seletivos e estudando no exterior, conquistar a vaga de estágio no Banco Mundial não foi algo tão simples. Gabrielle conta que o processo do qual ela participou costuma abrir duas vezes por ano e que exige, primeiro, que o candidato encaminhe o currículo e uma carta de apresentação, muito comum em seleções internacionais. "É aquela carta em que você conta por que está interessado na oportunidade, como você vai contribuir e por que você acredita que seja a pessoa certa para essa vaga", detalha a estudante. Na etapa seguinte, ela realizou uma espécie de prova em que foram apresentados alguns casos e o candidato precisava responder perguntas quantitativas e de raciocínio, para que a organização pudesse entender qual decisão seria tomada em cada uma das situações apresentadas. "Foi uma prova que eu fiquei bem nervosa, porque não é como se tivesse um preparatório específico. Depois disso eu fui convidada para uma entrevista que costuma ser em painel, com até quatro representantes que podem te fazer perguntas", conta. Ela avalia que, no processo todo, um currículo bem construído, com palavras-chave e adequado para a vaga e uma carta mostrou como a missão do banco era associada a área para qual ela estava aplicando foram os pontos que mais a favoreceram diante de quase 33 mil candidatos que concorriam para as vagas. Um sonho possível Desde maio estagiando no Banco Mundial, ela conta com um chefe e uma diretora brasileiros, e defende que, por mais que possa parecer distante e haja desafios, conseguir uma vaga é algo possível para outros jovens como ela. Gabrielle avalia que os principais barreiras para se chegar lá são o aprendizado do inglês, já que o trabalho exige fluência no idioma, e a falta de familiaridade com a carta de apresentação. Apesar disso, ela ressalta que os tutoriais na internet, vídeos e até a inteligência artificial podem ajudar a tornar o processo mais simples, gerando modelos e exemplos para o o aluno entender a estrutura do que deve ser feito. Um dos objetivos da estudante é cada vez mais mostrar que a presença de jovens brasileiros dentro de organismos internacionais, construindo uma carreira, é possível. "Eu quero poder contar sobre meu processo e mostrar que um planejamento dentro de organismos internacionais é possível. A gente só precisa saber as estratégias para chegar lá", afirma.

FONTE: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/08/11/primeira-da-familia-a-falar-ingles-brasileira-supera-concorrencia-de-33-mil-candidatos-e-conquista-vaga-de-estagio-no-banco-mundial.ghtml


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